A propósito dos 35 anos do teatro das Beiras o seu director diz que
“o impacto da universidade no tecido cultural é relativamente pequeno, infelizmente. Isto porque a universidade fecha-se muito dentro de si. Mas há outras questões que se põem: um aluno quando chega à universidade há quanto tempo é que não vê um espectáculo de teatro? Muitos deles não lêem o jornal... “

Para alem do costumeiro lamento da falta de apoios mais os diagnósticos/reflexões sobre o triste panorama cultural do condomínio, o sô director do TB põem, desta vez, o dedo na ferida e até tem alguma razão. De facto, tem havido um fechamento da UBI sobre si própria, que porventura terá a ver, entre outras coisas, com um certo grau de autismo socio-cultural próprio do meio academico provinciano, que desvaloriza e despreza quase tudo o que tem a ver com ambiente cultural exterior à universidade. Mas também terá a ver com referentes culturais que tanto professores como alunos, pelo menos, na sua grande maioria não devem possuir.
Certo é que, ao longo destes 35 anos de existência nunca houve entre o Teatro das Beiras e universidade, uma efectiva partilha de saberes nesta área, nem existiu uma troca produtiva de ideias ou qualquer sensibilidade crítica para questões de natureza teatral; tampouco a universidade estaria interessada que os alunos aprendessem fora dos muros da academia. Também é certo que a universidade como lugar de cultura não existe. Ou melhor, faz parte dum mito que os anos mais recentes deitaram, em definitivo, por terra.(seria outra história). Os alunos entram na universidade para sofrerem processos de refinamento assistido por profissionais treinados para o efeito e saem profissionais “acabados” para um call center ou uma grande superficie. Pois é esta a sua vocação. Teatro? Que é isso?
Parabéns ao Teatro das Beiras